Em 2026, ano de eleições presidenciais, temas estruturais como o direito à vida e à educação estarão no centro do debate público em um cenário marcado pelo avanço da desinformação e pela disputa de narrativas.
Comprometida com a produção e circulação de informações que fortaleçam a democracia e os direitos humanos, a Coalizão de Mídias iniciou, em junho, o projeto “Raízes e educação: cobertura de conteúdos para promoção da equidade racial periférica, quilombola e indígena na educação brasileira”, realizado em parceria com a Imaginable Futures (IF), organização filantrópica internacional dedicada à promoção da educação e da transformação social, com atuação no Brasil, Quênia e Estados Unidos.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio, por meio da produção e disseminação de conteúdos que evidenciem práticas pedagógicas, políticas públicas e saberes ancestrais presentes nos territórios periféricos, favelados, quilombolas e indígenas.
A proposta mobiliza as organizações que integram a Coalizão de Mídias em diferentes territórios das regiões Nordeste, Norte e Sudeste do país, articulando comunicação, educação e fortalecimento comunitário para ampliar a visibilidade de experiências transformadoras e contribuir para o enfrentamento do racismo estrutural.

No primeiro ciclo do projeto, no qual debatemos os fundamentos da educação antirracista para compreender o racismo estrutural na educação e os marcos legais que sustentam o ensino antirracista, recebemos:
- Verônica Santos, professora no Quilombo Araribá, ativista da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e mestranda em Educação Antirracista;
- Janira Sodré, doutora em História, secretária executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras (AMNB), professora no Instituto Federal de Goiás e coordenadora do Instituto Pretas – Grupo de Mulheres Negras Calungas. AMNB e docente do IFG);
- Maryellen Crisóstomo, quilombola do território Baião no Sudeste do Tocantins, mestranda em Letras (UFT), jornalista e ativista de direitos humanos e ambientais quilombolas, além de coordenadora da Coeqto (Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins), membra do Coletivo de Mulheres Quilombolas da Conaq, do Intervozes e do Conselho Diretor do Greenpeace Brasil.
No segundo ciclo, conhecemos pedagogias que transformam e nos debruçamos em práticas educativas que rompem com a lógica colonial e valorizam os territórios. Nele, recebemos:
- Raquel Kariri, caatingueira pertencente ao povo Kariri da Chapada do Araripee, é integrante da Associação Brasileira de Jornalismo Indígena, além de mestra em Literatura e Interculturalidade, conselheira da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) e idealizadora da Escola de Ancestralidades Kariri.
- Rosinalda Olasèni, quilombola de Água Limpa (GO), pós-doutora em História, além de professora no Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, licenciatura quilombola. Também é integrante do Instituto Pretas – Grupo de Mulheres Negras Calungas.
No terceiro e último ciclo debatemos jornalismo, dados e incidência política, a fim de capacitar nossa rede para o uso estratégico de dados públicos de educação e raça visando o controle social. Recebemos:
- Mariza Fernandes, professora de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação na Universidade Federal de Goiás, coordenadora do OJÚ, projeto de extensão voltado para jornalismo de dados, checagem de fatos e combate à desinformação. Também é doutora em Geografia.
- Victor Moura, jornalista, pesquisador e comunicador de Recife, integrante da Rede Beberibe. Atua com jornalismo hiperlocal, justiça climática e controle social, utilizando dados públicos e a Lei de Acesso à Informação como ferramentas para fiscalizar, monitorar e pressionar o poder público em defesa dos direitos das comunidades.

