Durante o período eleitoral, o acesso à informação de qualidade é fundamental para que a população possa compreender o que está em disputa, participar do debate público e tomar decisões de forma consciente.
Mas o acesso à informação não acontece da mesma maneira em todos os lugares. Nas periferias, favelas, quilombos e territórios indígenas, desigualdades históricas atravessam a forma como as informações chegam e circulam.
Ao mesmo tempo, questões e demandas que fazem parte da vida cotidiana desses territórios nem sempre ocupam o espaço necessário no debate eleitoral.
É nesse contexto que nasce o Territórios e Eleições: direito à informação e democracia, projeto da Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena que fortalece a atuação de mídias territoriais durante as eleições de 2026.
A iniciativa articula formação, cobertura eleitoral territorializada, educação midiática e proteção integral de jornalistas e comunicadores, incorporando também os cuidados jurídicos necessários à atuação das mídias durante o período eleitoral.
O direito à informação ganha força quando a cobertura eleitoral responde às perguntas, urgências e redes de confiança de cada território.
Isso significa olhar para as perguntas dos moradores, para as informações que não chegam ou chegam de forma insuficiente, para os problemas públicos que atravessam a vida cotidiana e para as decisões políticas que impactam periferias, favelas, quilombos e territórios indígenas.
A proposta é aproximar as eleições da vida das pessoas e ampliar a presença das questões territoriais no debate público.
Organizações participantes
As iniciativas estão presentes em seis estados, alcançando as regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.








CICLO FORMATIVO
O ciclo formativo do Territórios e Eleições teve quatro encontros realizados entre os dias 1º e 4 de setembro, seguidos por um quinto encontro de apresentação dos planos construídos pelas organizações participantes.
O percurso teve como ponto de partida os resultados da pesquisa “Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias para reimaginar a justiça informacional no Brasil”, realizada pela Coalizão de Mídias para identificar necessidades informacionais, desigualdades, redes de confiança e questões que precisam ocupar o debate eleitoral a partir da realidade de cada território.
Ao longo dos encontros, as organizações participaram de formações sobre aspectos jurídicos da cobertura eleitoral, planejamento editorial e proteção integral de jornalistas e comunicadores, incorporando esses conhecimentos ao planejamento de suas pautas e ações.
Como resultado do processo, cada iniciativa desenvolveu um plano de cobertura reunindo pauta, público, abordagem, formato, estratégias de circulação e cuidados jurídicos e de proteção.
PRODUÇÃO E COBERTURA TERRITORIAL
Entre setembro e outubro, as mídias participantes desenvolvem e publicam produções construídas a partir das necessidades, interesses e realidades dos territórios onde atuam.
São reportagens, vídeos, entrevistas, conteúdos para redes sociais, materiais de serviço, campanhas e outros formatos que ajudam a aproximar o debate eleitoral das questões que atravessam a vida cotidiana dos moradores.
A proposta ajuda a compreender o que as eleições têm a ver com a vida nos territórios: quais decisões políticas impactam essas populações, quais são as responsabilidades dos cargos em disputa, quais direitos estão em jogo e quais demandas precisam ganhar espaço no debate público.
EDUCAÇÃO MIDIÁTICA NOS TERRITÓRIOS
O direito à informação também acontece fora das telas.
As iniciativas podem desenvolver rodas de conversa, oficinas, atividades em escolas, espaços culturais e comunitários e outras ações de educação midiática, construídas de acordo com as características e necessidades de cada território.
Acessibilidade também é Direito à Informação
Segundo o Censo Demográfico 2022, do IBGE, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais, o equivalente a 7,3% dessa população. Ao mesmo tempo, menos de 3% dos sites brasileiros seguem padrões de acessibilidade, segundo dados do Movimento Web para Todos.
Esse cenário evidencia uma barreira importante para o exercício do direito à informação. Por isso, o Territórios e Eleições também incorpora a acessibilidade às estratégias de circulação dos conteúdos produzidos pelas mídias participantes.
Em parceria com o Instituto Eficientes, organização que integra a Coalizão de Mídias, as produções do projeto também serão distribuídas pelo aplicativo Lume, um agregador de notícias desenvolvido para ampliar o acesso de pessoas com deficiência à informação jornalística.
O aplicativo Lume reúne recursos de acessibilidade voltados especialmente às pessoas cegas e surdas, como compatibilidade com leitores de tela, descrição de imagens, linguagem simples, possibilidade de ampliação de fonte, adequação de contrastes e interpretação em Libras. O aplicativo também pode ser acessado em ambiente web, ampliando as possibilidades de acesso aos conteúdos.
Além da distribuição das produções pelo aplicativo, as iniciativas participantes do Territórios e Eleições terão uma formação sobre acessibilidade na comunicação. A parceria amplia, assim, os caminhos de distribuição do projeto, já que garantir o direito à informação também significa garantir que a informação possa ser acessada por todas as pessoas.
*Atualizado em 10/09/2026.

